quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Eu chovo

Acabei sendo o silêncio ao contrário, depois do sumiço de teu paradeiro. De feliz; virei samba, virei festa, virei carnaval. Até que de novo você me aparece. Eu chovo, caio e corro pelo chão a caminho do ralo. Nem o sol seca as gotas que virei, se você sai, quero rasgar teu vestido, Pra você ficar. Piso teu batom, pra você não se enfeitar. Faz de mim, teu vestido e veste minha pele, faz de mim teu batom e me ponha na boca. Sou teu asfalto, a quem tu podes pisar, enquanto lambo teus pés em pleno gozo contra-mar. Subo, pelas tuas pernas, tua barriga, seios, pescoço, nuca e boca, e só paro quando desinventarem os dias e as horas. Das letras que escrevi, só me restou as que estão contidas em teu nome, maléfico. Desgraçado. Amaldiçoado, você sempre má. Vestida de vermelho. Todos os dias escrevo versos, e depois rasgo.

2 rabiscos:

Anônimo disse...

Você está muito perto de ser um poeta parnasiano.

Shagaly disse...

Como vc consegue se entregar tanto assim?!?! Belo, belo!!!