segunda-feira, 26 de abril de 2010
Leite Derramado
Apesar de adorar as músicas do Chico Buarque, nunca havia parado para ler nenhum de seus livros, por acaso, após parar em um supermercado, vi o seu mais novo lançamento, peguei-o, folhei-o, fui lendo e o texto era como uma música, era um texto ritmado, você vai lendo e ouvindo o sons da palavra soarem como canção, o que importava não era somente a história em si, mas o ritmo de como essa história ia sendo contada, achei sensacional, então, resolvi comprar, parei por um tempo para ler e quando vi, o livro acabou, e nem percebi, foi uma leitura muito gostosa, mas o livro é curtinho também, apenas duzentas páginas! O livro se chama: “Leite Derramado”. Um trecho que eu gostei muito, diz assim:
"Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo de sua origem. Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta."
(Leite Derramado, Chico Buarque)
Buarque lê trecho de último livro
domingo, 25 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Add infinitum
Chaves, portas, fechaduras e você. Céus, mares e terras, eu. Gritos e berros saem de mim, silêncio de teus pulmões. Riscarei no teu braço um pedaço do céu, cantos e contos, mentiras. Tua sala não me recebeu, teu sofá não me abriu os braços e eu fui embora. Mas olha o sinal verde, deixa-me passar. Toma o que é teu, marcas e sons. As cores das coisas que se refazem do nada, eu conheço tua história ainda não te dita, deixa eu te contar, nós dois rodando, rodopiando e deitando no chão, como crianças, vendo o sol suspenso no ar em meio à amplidão, no fundo do corpo na superfície da alma, e no fim, como tudo que é infinito, demos um fim a tudo, terminemos, apesar de tanta coisa em comum, pra que tudo não acabe em gotas que caem dos olhos, porque o eterno são as coisas casuais, eventuais que acabam e ficam pra sempre.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Eu não me arrependo de você
exalta samba - Abandonado.mp3
_________Júlia, nunca mais nos falamos, e talvez nunca mais nos falaremos. Nós rimos, ouvimos músicas juntos, foi uma amizade colorida, tão boa, tão boa, que tinha que acabar, como tudo que é bom, pra não ficar chato, né?! Agora eu não posso escutar um samba sem que eu lembre de tua carioquês.
________Sinto falta de teu sotaque, teu “swing sangue bom”, carioca de luz própria. E se te interessa saber, independente de tua opinião sobre mim, a minha não muda, para mim, você sempre será a minha Julinha, que eu vou lembrar quando eu estiver bem velhinho de cacete na mão, sei lá... você foi a coisa mais estranha que aconteceu em minha vida, e coisas estranhas marcam. Como cantou Caetano Veloso, “eu não me arrependo de você”. Você não foi um erro, foi um aprendizado. E aprendizados nem sempre são indolores. Você foi uma dor também. Mas estava pensando, somos tão opostos, você se esconde, e eu faço questão de aparecer, eu grito para o mundo, olhem para mim, adoro aparecer. Talvez eu nunca te veja, mas quem sabe, caso eu consiga aquele emprego dos meus sonhos, você me veja na TV como repórter?! Hein?! Acho que você vai tomar um susto, ou com muita raiva ainda, vai desligar a TV.
______Quando esse dia chegar, caso não haja mais mágoa, por favor, responde essa carta que te mando agora! OK?!Ainda te devo uma Coca-Cola, só fale isso nesse dia, eu vou lembrar. “Você me deve uma Coca-Cola”, essa é a frase chave para eu lembrar de ti, E não esqueça de ir de sandálias baixas nesse dia, por favor!
______Ah! Antes de me despedir nessa carta que escrevo com muito medo que você nem leia, rasgue o envelope antes de abrir. Eu queria te dizer que às vezes, eu disse só às vezes, até torço para o teu “vascão”. Só por causa de você. Não, esqueça, deixe pra lá! Julinha, cuida-te. Eu gosto de tu.
________Sinto falta de teu sotaque, teu “swing sangue bom”, carioca de luz própria. E se te interessa saber, independente de tua opinião sobre mim, a minha não muda, para mim, você sempre será a minha Julinha, que eu vou lembrar quando eu estiver bem velhinho de cacete na mão, sei lá... você foi a coisa mais estranha que aconteceu em minha vida, e coisas estranhas marcam. Como cantou Caetano Veloso, “eu não me arrependo de você”. Você não foi um erro, foi um aprendizado. E aprendizados nem sempre são indolores. Você foi uma dor também. Mas estava pensando, somos tão opostos, você se esconde, e eu faço questão de aparecer, eu grito para o mundo, olhem para mim, adoro aparecer. Talvez eu nunca te veja, mas quem sabe, caso eu consiga aquele emprego dos meus sonhos, você me veja na TV como repórter?! Hein?! Acho que você vai tomar um susto, ou com muita raiva ainda, vai desligar a TV.
______Quando esse dia chegar, caso não haja mais mágoa, por favor, responde essa carta que te mando agora! OK?!Ainda te devo uma Coca-Cola, só fale isso nesse dia, eu vou lembrar. “Você me deve uma Coca-Cola”, essa é a frase chave para eu lembrar de ti, E não esqueça de ir de sandálias baixas nesse dia, por favor!
______Ah! Antes de me despedir nessa carta que escrevo com muito medo que você nem leia, rasgue o envelope antes de abrir. Eu queria te dizer que às vezes, eu disse só às vezes, até torço para o teu “vascão”. Só por causa de você. Não, esqueça, deixe pra lá! Julinha, cuida-te. Eu gosto de tu.
"Eu não me arrependo de você
Cê não me devia maldizer assim
Vi você crescer
Fiz você crescer
Vi cê me fazer crescer também
Prá além de mim...
Não, nada irá neste mundo
Apagar o desenho que temos aqui
Nem o maior dos seus erros
Meus erros, remorsos
O farão sumir..
Vejo essas novas pessoas
Que nós engendramos em nós
E de nós
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz
Nada, nem que a gente morra
Desmente o que agora
Chega à minha voz..."
domingo, 4 de abril de 2010
I Need You

Hoje eu andei pelas ruas com uma camisa escrita: “I Need You”. Esse “You” eram todos que quisessem me dar uma abraço, uma palavra de qualquer coisa, um olhar, eu precisava de um ser-humano. Nada é mais necessário a uma pessoa que outro, ou melhor, “outros” seres-humanos... Por isso, “ai nide iu” que lê meu texto agora. Ontem eu estava no estádio e no momento do gol eu abracei um desconhecido como se fosse um irmão, e na verdade éramos. Sempre que saio de minha cidade para ir à Salvador me sinto só, cidades com mais de 3 milhões de pessoas me sufocam, porque no meio de uma multidão, todos estão sós, todos são sós, em cidades menores as pessoas se veem mais como irmãos. Do alto desse apartamento eu fico olhando o mar e meus olhos ficam caçando pessoas. Eu preciso de muitas coisas, mas nada é mais urgente que minha necessidade de gente, de “Yous” como você que me lê agora.


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