segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Que Prolixidade Tem a Ver Com Promiscuidade

Ah! Que ódio, ódio mais horroroso, vontade de execrar os prolixos, que tudo tem a ver com promíscuos. Vamos ao dicionário, definição de prolixo: Muito longo, Superabundante, excessivo, demasiado, Fastidioso, enfadonho, uso excessivo de palavras difíceis, confuso. Definição de promíscuos: Agregado sem ordem nem distinção; misturado, indistinto, pecado, confuso. Existe um decreto, ainda não revogado, de Getúlio Vargas, que PRO-Í-BE cobrança de juros acima dos 12% ao mês, um pequeno descuido meu, fez-me atrasar a conta de meu cartão, ora! Pensei! Os juros vão ser pequenos, mais foi cobrado de mim 300% de juros em 15 dias de atraso, só pode ser engano, liguei, dei aquela esperada básica de dois minutos, detalhe, foi aprovada há pouco tempo a lei do Call Center, que obriga as empresas atenderem seus clientes em pelo menos 60 segundos. Até que ouço a explicação de uma moça de fala mansa que contrastava com a minha fala irritada. Ela cheia de prolixidade, simplesmente era treinada pra me enganar, a empresa estava errada, mais ela fez todo um rodeio pra dizer o que poderia falar com duas palavras, você se Fodeu*! Uma tremenda de uma sacanagem! Uma promiscuidade, quiseram foder com meu bolso.


 

*Não existe a palavra Fudeu, mas segundo o dicionário a forma correta é "Fodeu" com a vogal "o", como aprendi com uma amiga.

 


Ordem


Futuro, nada, completude, mundo, tudo, mim mesmo, dias, outubros, anjos, vidas, das origens, morte, volta, passado, futuro. 

sábado, 27 de dezembro de 2008

Título Censurado

Eu não quero saber de regras, de mandamentos, ditados. Porque será que tudo que eu gosto é ilegal é imoral ou engorda e te mata de colesterol? Assim fico condenado a não fazer o que quero. Sempre existe alguém pra lhe dizer que isso ou aquilo não se deve fazer. Eu quero perder noites e ganhar meus dias, mas dizem: Não pode! Então vou passar a tarde toda tomando sorvete: Seu avô tinha diabetes, Não pode! Vou pegar a moto do meu pai pra viajar, a BR é perigosa, não pode! Quero dormir na casa da minha namorada, os pais dela dizem: é imoral, não pode! Quero atravessar o sinal vermelho da frase: Não pode! Cansei de ser esse moço bem comportado que atende a todos os "não podes" que a vida me oferece, sugiro um brinde! Tudo pode! Tudo é permitido e tudo quero!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A Volta

Cheguei a tempo, eram sinais de bens, votos de feliz. O mundo roda, e minhas vontades também, como ciranda quando eu era criança, você atravessou um rio, achou o lugar onde nasce a fonte e me saudou selando com um beijo de paz, de tudo bem. E percebeu meu coração bater mais forte só por você... Notou que todas as notas que dou são acordes vivos de júbilo por ver você voltar, foi apenas um pequeno passeio ou caminhada; giro fora do eixo. Pensei no tempo e era tempo de mais. Esqueci e abri mão de querer lembrar, pouco importa o passado, o futuro é infinito, o horizonte inalcançável, eu simplesmente não consigo parar, pouco importa as portas que se fecharam com fechaduras sem chaves, agora estamos de volta, numa nova estrada, e nunca mais voltaremos a Estrada Velha do Aeroporto, agora podemos fazer sonhos acontecerem. Pensei em pouca coisa pra falar, nessa hora falar é pecado, vamos pensar além, mas quem sabe isso não quer dizer amor? 

Figura de Linguagem

Eu te bebo, eu te como, eu te tenho em mim. A mão percorre tuas coxas, e os pés insistem em andar pra dentro de você. E você pra dentro de mim. Eu fico tatuado em teu corpo, o sol se esconde pra lua se mostrar. E tudo se mostra mais velho e mais belo.



E O Amor? Ah! O Amor..!

O que seria amor? Ah vai! No fundo, toda mulher quer um bandido, aquele que nem olha em sua cara no dia seguinte. Aquele que a usa por uma noite e a deixa enlouquecida por toda vida. Foi-se o tempo que o amor romântico existia, eu já nem mando mais cartas e bombons, muito menos flores, bombons engordam e flores murcham. Lembrei dos meus quinze anos, quando pela primeira vez me apaixonei, deitei-me na cama com uma mulher, eu a amava, tudo acabou como gota que cai em lugar efervescente e evapora, esvai. Achei que seria pra sempre, aos vinte dois, aprendi melhor a lhe dar com as mulheres, quanto mais céus você oferece, mais inferno ela lhe pedi. Sexo pra alguns pode ser nada, pra mim, sempre foi como uma flor, algo que as pessoas passam despercebidas todos os dias, mas eu ainda consigo me maravilhar com sua beleza, não é de meu perfil, nem aderirei à moda da banalização do sexo, ainda acredito que minha rainha virá montada nas nuvens, vestida de branco e viveremos felizes pra sempre, ah! Está bem, é mentira, mas é bom sonhar, difícil é encontrar uma que não queira na verdade um amor bandido. Enfim, o que é o amor? Não é nada intenso e profundo como alguns dizem, amor é qualquer, e todo sentimento de carinho, independente de sua intensidade. Amar é querer o bem do outro, mesmo que você não seja esse "bem", assim o ciúmes não passa de um amor próprio. Também é sentir-se triste por qualquer mal que possa vir contra essa pessoa. É se colocar no lugar do outro. Assim, quando alguém feri a quem amo, feri a mim também.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Especialistas analisam e sentenciam

Cruzou os braços, nem tente, mexeu o cabelo, está tentando te seduzir. Cruzou as pernas em tua direção, se apoiou na mesa virando para você ou qualquer movimento corporal parecido com algo do tipo, venha! Vá! Eu já estava exausto de todos esses conselhos de especialistas, e agora me vinha um amigo. Tudo bem! Encerrei a conversa, não estava tudo bem, mas eu queria encerrar aquele papo mentiroso e chato. Sentamos a mesa, a garota do meu amigo cruzou os braços, a minha deitou em meus ombros, depois foram ao banheiro. Mas eu não vi nada de mais, ela só deitou em meu ombro, retruquei à indignação do meu amigo. A minha cruzou os braços, já era, disse. Que besteira cara! Respondi. Conversamos, Bebemos, rimos... O Bar esvaziou e quando eu pensei que não ia dar em nada, ela me deu um beijo. E foram embora! Nunca pensei que essa coisa de balanço de cabelo, jogo de perna pra lá e pra cá, movimentos corporais pra frente e pra trás ou qualquer coisa parecida do tipo, Venha! Fosse um sinal de Vá. Ah! Mas vai ver essa coisa toda nem é tão verdade assim, outro dia me encontrei com esse amigo e ele me apresentou sua esposa, e não é que era a garota do braço cruzado! É... Ele descruzou os braços dela, ou no fundo, na prática a teoria não funciona.

sábado, 20 de dezembro de 2008

TV PM

Entrou na sala, pegou uma escova que estava na estante na qual se encontrava a TV que eu assistia e saiu. Voltou, pegou agora os óculos e saiu. Voltou novamente, entrou, olhou toda a sala e saiu batendo a porta com muita força desta vez, e como que do nada voltava, perguntei o que havia, esse entra e sai me atrapalhava ver a TV, assistia um documentário sobre os Policiais Militares da Bahia, é só isto que você sabe ver, a TV, disse ela com tom irritado. Não entendi, tudo bem, passei quase doze horas assistindo documentários, mas esse era o meu trabalho, eu precisava saber mais sobre os PMs antes de fazer minha reportagem, tentei dizer isso pra ela, mas nem precisava, ela sabia disso, e mesmo assim não me deixou nem terminar a resposta, foi logo jogando uma enxurrada de reclamações: Você não repara em mim, você é um irresponsável, você não quer sair mais... Tantas coisas ao mesmo tempo que eu acabei entendendo somente isso, mas espere aí? Tem alguma coisa errado! Disse! Qual foi a última vez que você menstruou? Que? Assustou-se ela, isso mesmo, insisti. Há 27 dias! Mas o que te importa? Você não se preocupa comigo mesmo! Ah! Tá explicado, pensei, sentei em meu sofá pus o fone de ouvido na TV e a deixei desabafar com as paredes, era só mais uma TPM.


Textura, cheiro, visões, ritual. Budismo, cristianismo, paganismo, candomblé. Céu que cai, terra me devora, destrói e recria minha alma, transforma meu corpo, numa coisa só, desata os nós dos tempos que não tenho e das asas que perdi, como nuvem com a chegada do verão.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Crônica de um menino.

Para quem não conhece a tradição da minha cidade, essa história pode parecer um pouco estranha, louca, sem sentido, vaga. Como aqui é um blog, não um livro, não posso me ater a detalhes. Basta dizer que em minha cidade há uma tradição chamada guerra de "espadas", não! Não, não é essa espada que vem a sua cabeça, a espada é um material feito de bambu, barro e pólvora, quando ascendida ela corre pra todos os lados, perde a direção, é um bambu com uma longa calda de fogo sem rumo.

Há pouco lendo Sabino, em seu livro "O Menino no Espelho", no qual ele conta como ver a vida com os olhos de criança, relembrei uma história boba, mas feliz pra mim. Quando uma dessas espadas invadiu minha casa, eu tinha apenas sete anos, enquanto os mais velhos desesperados gritavam, por que a "espada" queimava toda a casa, eu pulava no meio dela, gritando e muito feliz, lembro da minha tia gritando: Tira esse menino daí... Mas aquilo era o ápice da minha felicidade, eu e aquele fogaréu éramos um, era mágico, esplendoroso. Hoje aos vinte dois anos, morro de medo das "espadas", percebi o quanto foi chato crescer, queria voltar a ver o mundo com os olhos de menino.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Erar é Umano

Aos quinze anos o mundo parece ser seu. Você pensa até que pode voar, as pessoas são suas, você pode fazer o que bem entender com elas. Afinal, não somos mais crianças, mas ainda não somos grandes, Erar é umano, e eu errei. Tomei a boca de duas ao mesmo tempo, covarde! A velha filosofia dos grandes pensadores do forró brega: "pega, mas não se apega", essa é a rima mais brega que já ouvir, mas sua filosofia fazia sentido pra mim. Aos quinze você é imortal, aos dezoito você morre.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Filme clichê

Parece aquelas estórias de filmes que eu adorava assistir, na verdade, desta vez, eu estava dentro de um desses filmes sem perceber, meu lado z, lado que ninguém sabe ou vê. Era um desses filmes que não tinha muita fila pra ver, mas eu adorava. A moça deixa cair o lenço, o rapaz abaixa pra pegar e pronto, ta aí uma estória. Sem explosões, tiros, pancadas na cara... E todas essas asneiras que enchem as filas de cinema, Delicadeza e doçura não fazem muito sucesso, nem livros, nem amores que dão certo.
___________________Mas coadjuvante, não nasci, sou o principal, nada de ser aquele que tenta roubar a menina do rapaz bonzinho, principal sempre, aquele que sobe na mesa e grita, o que lê um poema e rasga, o que com um violão bate na janela e sai encharcado d'água, mas depois volta e se afoga na boca da amada, e toda essa "clichesada" que sempre existiu.  O que nunca morre no final.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Signo de Ar

Enquanto o vento bate nas árvores, as formigas trabalham sobre a grama, os abutres voam. Ela deita em meu colo em um banco no centro de um jardim, e passa a me falar desimportâncias.

- Qual teu signo?

- Não tenho.

- Ah! Sério! Por favor!

- Dizem que é Gêmeos.

- Data, ano e hora de nascimento.

- 28 de maio de 1986 às 19 horas.

- Gêmeos, signo de ar, com ascendente em Capricórnio...

- Ah! Eu não acredito nessas coisas, eu lia os jornais e nada dava certo.

- Horóscopo de jornal não vale.

- Que vale?

-Mapa!

- O que o meu diz?

- Ao nascer, tinha Vênus em Câncer, o que sugere uma afetividade terna, dedicada, apegada, do tipo que aprecia cuidar do ser amado, dando o máximo de si. Esta disposição em cuidar da próximo oculta em verdade um grande desejo de ser cuidado: Vênus em Câncer é um dos posicionamentos que mais destaca a carência.

- Rá, faz-me ri esses horóscopos, eu nunca fui carente!  Ah! Agora deixa essas besteiras de lado e me deixa morder teu pescoço que hoje eu estou me sentido meio necessitado de carinho.

-Os astros nunca mentêm! Nunca!

 

 

sábado, 6 de dezembro de 2008

Toda santa é puta!

Feixe de luz entra na brecha da janela, feche a aresta e deite, assim no escuro morra de gozo e se desrespeite. Pra que ser santa pros outros se você pode ser sua, sua puta, mas só sua. Pra que vestir se você pode se despir, pra que moral, se tua vontade não quer virtudes é instinto animal. Porque fazer o que os outros fazem, seja tinta e pinte um quadro dadaísta sem traços certos e linhas retas, no fundo, toda santa é puta. Faça tua vontade. os outros, dane-se. Seja heroína, seja vaginal.


 

PS: Texto feito para o seminário de diversidade sexual, debate: Porque o homem pode e a mulher não pode?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Apoteose

Nunca me considerei um bom escritor, mas não dizer que sempre fui um exemplo de orador, seria falsa modéstia. Nem mesmo minha humildade me deixa mentir, eu sempre fui capaz de ganhar qualquer batalha retórica, mesmo que eu não acreditasse em meus argumentos, ao entrar na universidade meu orgulho crescia com as notas dez nos seminários, que sempre me salvaram das notas medianas na hora de escrever. Sabendo desse meu talento nato, ao entrar na universidade, de imediato entrei na política estudantil, eu estava acostumado com os elogios nos finais das batalhas políticas, elogios dos professores nas apresentações em sala, dos meus colegas de equipe, eu era o melhor! Tanto, que me afoguei em meu orgulho. Achei que eu sempre seria bom em qualquer situação, não precisava nem me preparar, mas era só um discurso. O da vitória, entrei, era a minha apoteose, aplausos, olhei pra platéia e todas as frases de efeito, todas as palavras fortes ditas com veemência, todo meu discurso sumiu, eu tentei procurar dentro dos bolsos da calça, na verdade escondia as mãos tremidas e geladas, todos esperavam, e eu esperava as palavras, silêncio por alguns instantes até que ao invés de um belo discurso, uma gagueira, péssimas palavras, e no final aplausos apáticos e falsos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Glamour, sem dentes e sem ar

Dia bem atípico, peguei o carro de meu tio, pra fazer uma visita a um velho amigo, ele não estava bem, problemas com cigarros, no meio do caminho parei em um bar pra tomar uma cerveja, cigarro amigo? Disse o Garçom! Não! Não fumo! Na TV passava um filme, uma linda mulher, e um belo homem, fumando em um restaurante, era o clássico, a glamorização que a TV junto com o cinema fez desse hábito, horrendo, mas na cabeça dos alienados, lindo! Era lindo aqueles dentes amarelos, pulmões pretos, pele envelhecida, e a falta de ar que meu amigo tinha. Olhei pra trás e vi prostitutas, bêbados, e um velho, todos fumando, estopim pra minha saída do bar e voltar à estrada, nunca suportei esse hábito. Lembro de certa vez que me dei ao trabalho de passar uma semana atrás de uma garota, ela era a mistura da Julia Robert com Norah Jones e tinha o cérebro da Marília Gabriela, mas na hora que enfim ela iria me dizer "sim", antes eu trouxe a tona uma mentira, e disse "não", ela fumava! Prometi a mim mesmo, quando eu for jornalista, lutarei contra esse vício! Nunca vou estimular esse absurdo.  Antes de ir embora o garçom gritou! Olha a lei seca amigo! Nem me importei, no meio do caminho um guarda me parou, já era! Pensei, ah! Você bebeu pouco, então me dê o dinheiro do cigarro e tá tudo certo! Disse! Ufa! Tome!