sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
Quero, tu e tudo
Nem adianta procurar quem eu realmente quero. Porque um dia eu quero distância, no outro quero estar perto, no outro, quero outra. Um dia quero sol, no outro quero lua, outro, céu, no outro, nada quero. Nem adianta me prometer, porque em um dia quero segurança, no outro quero aventura. Tem dias que só um vinho me serve. Um dia quero, tu, outro quero tudo. É possível amar assim? É possível amar assim! Se tu tiveres mais um dia pra mim, será intenso. E mesmo que todos os outros dias de tua vida sejam tediosos, esse já valerá tua existência. Porque há coisas que não se dizem, tem coisas que são ditas por si. Há coisas que auto se explicam. É possível amar Assim? É possível amar assim!
sábado, 24 de janeiro de 2009
Faço literatura, não biografia
Minha ânsia por escrever, fez-me em 2006, primeiro semestre de jornalismo, criar um blog, adorei a frase de Clarice Lispector, tanto que a adotei como sub-título, “Quero uma verdade inventada”, Pois nunca pensei em fazer biografia, pelo menos não agora aos 22, talvez tenha sim um tanto de verdade, mas é tão “tica” que só os meus amigos mais íntimos pra perceber qualquer confissão. Esse é o meu primeiro texto com cem por cento de verdade sobre mim, na verdade, nem mesmo esse texto chega a tanto. Meu passado volta e volta reclamando o que nunca foi seu, com pretensões de que todas as minhas linhas fossem um tributo a tudo. Mas todas as minhas linhas foram apenas uma busca, inalcançável, eu sei, pela beleza da arte literária, é tudo que busco, perfeição. Cada passo e cada risco, cada dedada que dou no teclado. Claro, está em minha veia também o jornalismo, aí sempre que posto, prezo pela verdade. Um beijo, foi o que foi pra mim, daí investigar meus passos e tirar pretensas suposições de nada vale. Faço jornalismo, ao menos almejo fazer, faço literatura, ao menos almejo fazer, mas biografia, quando faço, é tão “tico” tão “tico” que não passa de gotas em um oceano nada pacífico, a minha realidade é inventada.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Cinzas Espalhadas no Oceano Pacífico

Fruto da geração rebelde dos anos 60. Com uma vida que daria um ótimo roteiro cinematográfico, ela foi uma das maiores lendas da música. Em 19 de Janeiro de 1943 nascia Janis Joplin. Se estivesse viva hoje estaria completando 66 anos. Para quem não aprecia sua música, fica ao menos sua biografia, foi ela uma das precursoras na luta pela igualdade de sexos. Fora ela autora de sua própria vida, independente do conceito que a sociedade tinha sobre ser mulher, quebrando regras e fazendo suas próprias leis. Justamente em uma dessas quebras de regras que a fez perder a vida, entregue ao vício da heroína, a grande heroína do rock mundial teve até uma passagem pelo Brasil, na tentativa de se livrar do vício, em sua estadia no Brasil, morou em uma cabana rústica e isolada na vila de Caratingui em Arembepe, distrito de Camaçari Bahia, primeira comunidade hippie do Brasil fundada nos anos 70, morou no Rio de Janeiro pra tentar se tratar dos vícios; bebedeiras, escândalos, por fazer topless em Copacabana, nadar nua na Piscina do Copacabana Palace, chegou até a cantar em um bordel... Essa acabou sendo sua vida nos trópicos, em vão a tentativa de abandonar as drogas em terras brasileiras, Janis Joplin morreu de overdose de heroína em quatro de outubro de 1970, em Los Angeles, Califórnia, com apenas 27 anos. Foi Cremada no Cemitério-parque memorial de Westwood Village, em Westwood, Califórnia, e numa cerimônia, suas cinzas foram espalhadas pelo Oceano Pacífico.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Eu expiro, e tu me inspiras
Amo o vento. E amo ao vento. Mas se tu disseres que na vida nunca amou nada, eu tenho amor pra mim e pra ti. E isso basta. Deita, sossega, e expire... Fundo, bem fundo... Enquanto isso em italiano eu grito ao ar: Io te amo, Io te amo, Io te amo... mio primo amore... Abra todas as portas, todas as janelas, não há razão pra nenhuma delas, tudo é seguro, tudo é sereno, como teu rosto, leve... Sossega... Deixe que eu te leve pras nuvens, deixe que os pássaros paguem uma ópera em tributo ao maior de todos os sentimentos, e as folhas dancem ao canto dos passarinhos pelo ar, como bailarinas, e tudo vire ópera, e tudo vire arte e tudo gire, e tudo vire vento. Porque essa é a força da vida, sentir amor, é o que move, é o sussurro gritado e berrado, tudo vira poesia e da póstuma tristeza, dos meus sentimentos incompreendidos, nem tenho mais lembraças, Enquanto isso, não me canso de gritar: mio amore, mio amore, mio amore... mia ragarzza, eu expiro, eu tu me inspiras.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Tem? Tem pô [II]
Tenho que terminar um roteiro de um filme que me pus a escrever, tempo, menos de um mês. Tenho que terminar de estudar pras provas finais da faculdade, tempo, menos de uma semana. Tenho que estudar pro concurso público que proclamaria minha independência dos pais, Tempo, menos de quinze dias. Tenho que aprender inglês, italiano e espanhol, estudando os três simultaneamente, tempo, pra ontem. Tenho ainda que arranjar tempo pra ser um ser humano normal, ler meus livros favoritos, assistir meus filmes, participar de festivais, passear, namorar, exames médicos, brincar com o cachorro, viajar, academia, poesia, beber, rir, dançar, fotografar, escrever... Ufa! E enfim, novamente, tempo pra deitar numa rede e não fazer nada. Tem?
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Woodstock
Há alguns milhões de anos, os machos escolhiam suas fêmeas baseados no tamanho de suas ancas e peitos, era uma questão biológica; quanto maior a anca, melhor parideira ela seria, quanto maior os peitos, mais quantidade de leite ela oferecia; portanto melhor pra reproduzir. O tamanho do dote passou a ser a próxima perseguição masculina, em meio a uma sociedade anacrônica, e talvez, tão selvagem quanto a pré-histórica, tamanha falta de humanidade nessas trocas de seres humanos por dinheiro. Agora o tempo se divide em Antes de Woodstock e depois de Woodstock. O antes, pouco importa pra esse texto, importa o depois, é a liberdade, quando as mulheres, enfim, deram inicio queimando seus sutians em 68. Não mais os machos escolhem suas fêmeas, as fêmeas escolhem seus machos também, e não mais se olha o tamanho de suas ancas, bem... Quer dizer... Mais ou menos... Ah! Mas se levarmos em consideração que os fins não mais são reprodução... Sim... Não são as ancas nem os peitos que me impressionam tanto, como dizem, inteligência é afrodisíaco.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Eu chovo
Acabei sendo o silêncio ao contrário, depois do sumiço de teu paradeiro. De feliz; virei samba, virei festa, virei carnaval. Até que de novo você me aparece. Eu chovo, caio e corro pelo chão a caminho do ralo. Nem o sol seca as gotas que virei, se você sai, quero rasgar teu vestido, Pra você ficar. Piso teu batom, pra você não se enfeitar. Faz de mim, teu vestido e veste minha pele, faz de mim teu batom e me ponha na boca. Sou teu asfalto, a quem tu podes pisar, enquanto lambo teus pés em pleno gozo contra-mar. Subo, pelas tuas pernas, tua barriga, seios, pescoço, nuca e boca, e só paro quando desinventarem os dias e as horas. Das letras que escrevi, só me restou as que estão contidas em teu nome, maléfico. Desgraçado. Amaldiçoado, você sempre má. Vestida de vermelho. Todos os dias escrevo versos, e depois rasgo.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
2.000 Anos Depois

"E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria". Não cabe dentro do bruto coração de muitos humanos, o amor, de tão grande, de tão bonito, de tão sublime. Estampado no jornal, um homem, espancado até a morte dentro de um presídio, pouco importa os detalhes contados pelas linhas da notícia, traição, protesto, ou até, quem sabe, motivo nenhum. Inevitável a comparação, descida de Jesus da cruz numa pintura renascentista. Essa é a prova de que depois de 2.000 anos, cada vez mais a civilização fica menos civilizada, menos dócil, menos gentil, mais hostil, mais bárbara, menos doce.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Precipícios
Eu procuro coisas que não existem, coisas inacabadas, mas no fim, sempre acabo no óbvio. Nesse meu medo de amar. Ter medo é normal, não enfrentá-lo pode ser meu ópio, cada beijo pode ser um passo adiante a um grande precipício, e precipícios e princípios... Entre eles por todos os lados... Ela disse certa vez de fronte a um desses precipícios que eu poderia voar. Era só me jogar, mas nunca mais fiz isso, jogar-me do alto e arriscar, poder voar ou cair morto no mar. Ela nem riu dos meus poemas, feitos pra ela, e isso me é novo, ela nem riu das minhas bobagens, que faço toda hora, e isso me é novo. Ela riu comigo e comigo prometeu se jogar, caso assim eu também o fizesse. Mas Isso não me é novo. Eu caio, e ela voa. Ontem andando pela areia da praia, as ondas bateram em mim, e junto bateu a saudade. E Junto bateu o medo. E junto bateu a vontade. E junto bateu a ideia* de que eu poderia estar apaixonado. E isso me é terrível. E isso me sangra. E isso me tira o sono, e eu perco assim o meu grande amor, a liberdade.
*Segundo a nova regra ortográfica essa palavra não é mais acentuada.

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