
Após nove, ou dez conhaques, dei-me conta que estava só, a saudade preenchia metade do copo. Em uma cidade que não era minha, uma casa que não era minha, com um céu que não era meu.
. E quando se está só, nada mais digno de mim, que sair pelas ruas pra fotografar, isso me trás paz. Eu estava sem dormir, não convinha dormir. Crianças rindo, casal de velhos abraçados no banco da praça, um beijo em pleno mar, ah! Nessas horas eu viro um tolo, um bobo, pareço um neném com seu brinquedo. Tentei fotografar o que havia de mais lindo na vida.
Mas nada serviu mais pra aumentar minha besta e boba emotividade, que uma lata! Ah! Era só uma lata, mas, não! Não era! Era uma lata de Coca-Cola Zero Açúcar! Essa coisa simplória me remetia lembranças, de imediato a fotografei, lembrei de um específico luau, com amigos, à beira do rio! Onde não havia vinho como de costume, nem cerveja, nem nada de álcool… Somente Coca-Cola Zero Açúcar. Mas o que importava pra gente, não era a bebida, não era o violão, não era aquele rio, ou a ponte. O mais importante era termos uns aos outros naquela hora! O resto era coadjuvante. Saudade.
Se quiser plantar saudade, escalde bem a semente. Plante num lugar bem seco onde o sol seja bem quente! Porque se plantar no molhado, quando crescer mata a gente!
(cordelista Antônio Pereira)

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