sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Apoteose

Nunca me considerei um bom escritor, mas não dizer que sempre fui um exemplo de orador, seria falsa modéstia. Nem mesmo minha humildade me deixa mentir, eu sempre fui capaz de ganhar qualquer batalha retórica, mesmo que eu não acreditasse em meus argumentos, ao entrar na universidade meu orgulho crescia com as notas dez nos seminários, que sempre me salvaram das notas medianas na hora de escrever. Sabendo desse meu talento nato, ao entrar na universidade, de imediato entrei na política estudantil, eu estava acostumado com os elogios nos finais das batalhas políticas, elogios dos professores nas apresentações em sala, dos meus colegas de equipe, eu era o melhor! Tanto, que me afoguei em meu orgulho. Achei que eu sempre seria bom em qualquer situação, não precisava nem me preparar, mas era só um discurso. O da vitória, entrei, era a minha apoteose, aplausos, olhei pra platéia e todas as frases de efeito, todas as palavras fortes ditas com veemência, todo meu discurso sumiu, eu tentei procurar dentro dos bolsos da calça, na verdade escondia as mãos tremidas e geladas, todos esperavam, e eu esperava as palavras, silêncio por alguns instantes até que ao invés de um belo discurso, uma gagueira, péssimas palavras, e no final aplausos apáticos e falsos.

4 rabiscos:

Anônimo disse...

Aproveito o ensejo para convidá-lo a compor com os novos autores do projeto "Nova Coletânea" a antologia de crônicas e contos ara viagem. Se interessar nesta produção cooperada, entre em contato pelo e-mail: brunoteenager@gmail.com

Abraços

Lari Reis disse...

Eu gosto dessa arte da oratória. É um dom. Mas como todos os outros dons, reais ou não, está sujeito a críticas e a deslises. O orgulho é sempre o vilão da históra. Não importa se o orgulho vem da falta de modéstia ou da felicidade de cair nas graças do povo que nos aplaude pelos nossos dons. Eu escrevo, alguns dizem que bem, mas depois que o orgulho me feriu, prefiro acreditar que sou um mero alguém que tem coragem de transformar pensamentos em palavras e expô-los publicamente.

Anônimo disse...

Ainda acho que a escrita vale muito mais que a oralidade e a imagem. Mas, com certeza, facilita muito em seminários.

Meus pêsames por ter entrado na política estudantil.

Shagaly disse...

É meu caro amigo, até nossos pseudos talentos nos traem... Bem vindo ao clube!!!