terça-feira, 6 de abril de 2010

Add infinitum


Chaves, portas, fechaduras e você. Céus, mares e terras, eu. Gritos e berros saem de mim, silêncio de teus pulmões. Riscarei no teu braço um pedaço do céu, cantos e contos, mentiras. Tua sala não me recebeu, teu sofá não me abriu os braços e eu fui embora. Mas olha o sinal verde, deixa-me passar. Toma o que é teu, marcas e sons. As cores das coisas que se refazem do nada, eu conheço tua história ainda não te dita, deixa eu te contar, nós dois rodando, rodopiando e deitando no chão, como crianças, vendo o sol suspenso no ar em meio à amplidão, no fundo do corpo na superfície da alma, e no fim, como tudo que é infinito, demos um fim a tudo, terminemos, apesar de tanta coisa em comum, pra que tudo não acabe em gotas que caem dos olhos, porque o eterno são as coisas casuais, eventuais que acabam e ficam pra sempre.

4 rabiscos:

Shagaly disse...

Muito bonito! Só não sei pq as pessoas tem tanto medo da felicidade... perece que a tristeza é mais cômoda. Buscamos a alegria extrema e quando a conseguimos queremos matá-la antes que ela se acabe naturalmente. O problema é que não deixamos ela dizer se quer mesmo ir embora.

nina disse...

Belíssimo.
Parece um fim de tarde com sabor de felicidade. Ou o que se espera dessa busca incessante. Sede de ser feliz.

Danilo Cruz disse...

Bem... achei interessante.

Raisa Bastos y Rodrigues disse...

... o eterno ou não dá [?]